Archive for the 'Polokwane' Category

Shosholoza*

Sábado, 18 de Junho

12h: Fuso horário da África do Sul? Uma hora de diferença entre o combinado e a realidade.

12h30: Ela, vestida de segurança, deve gostar dele. Ele, vestido de segurança, deve gostar dela. Olham um para o outro como dois pinguins prestes a encostarem as cabeças. Uma bela história de amor decorre ali, no aeroporto de Joanesburgo, ao lado do detector de metais, que apita quando passo. Ouviste alguma coisa, amor?, pergunta o olhar dele. Não, responderam os olhos dela. Peguei na bagagem, e deixei os dois pombinhos em paz.

14h10: “Last call to Polokwane”. Só falta um avião. Mas o avião está ali, na pista. Tens certeza que aquilo não é um tubo gigante de pasta de dentes? Aquilo voa?! Ó se voa… Tem marca e tudo, Jetstream 41.

15h20: Vuvuzelas a 20 rands (dois euros, mais ou menos). Mas é obrigatorio discutir o preço.

18h: Orlando Pirates 2-0 Manchester City. Importem adeptos africanos, já!

Domingo, 19 de Junho

16h10: Afinal, a confiança nos passageiros de aviões é total. Prova A: o flirt entre seguranças junto ao detector de metais. Prova B: um aeroporto cujo “raio x” não funciona. Toca a tirar para fora tudo o que está na bagagem de mão. Please.

18h12: Hello, people of Durban. Or Durbs. Era escusado era tanto calor numa noite de Inverno. Sobretudo depois do frio de Polokwane.

19h05: Hotel  North Beach, com praia em frente, e Internet. Ufa… só falta o sol e cubanos exilados para isto parecer mesmo Miami.

Segunda, 20 de Junho

5h15: Despertar. Saída prevista: 5h50. Saída real: 6h40. Está confirmado o fuso horário sul-africano (e eu lembro-me desta conversa). Hluhluwe, aí vamos nós. Tragam os elefantes, os búfalos, os leões, as girafas e os leopardos.

9h32: Parque de Hluhluwe à vista. Mas leões e leopardos nem vê-los.

17h: Saint Lucia. Património Mundial. Património de Portugal. Estou prestes a descobrir que não falta gente de apelido Ferreira na África do Sul.

17h05: Não há internet no hotel. Em compensação, jantar “afrikaans”.

23h: Quando menos se espera, uma placa 3G pode ressuscitar. Não foi o caso da minha. Mas os caminhos da virtualidade são insondáveis. E a prova disso, é este post.

*Shosholoza: qualquer coisa como “vamos lá”, “está na hora”. Em 2010, vamos ouvir muito Shosholoza. Se não for antes.

Polokwane: plana, segura, mas com muito trabalho pela frente

O estádio Peter Mokaba vai ser palco de quatro encontros do próximo campeonato do Mundo de futebol, em 2010, na África do Sul. Para quem é de fora, a escolha do nome do estádio pode parecer um contrasenso. Mas esse não deve ser o problema que preocupe o município, que tem muito trabalho pela frente, se quiser responder às expectativas da FIFA e dos adeptos que vão aparecer no próximo ano.

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“Welcome to my office. Please take a seat”

Após 24 horas em Polokwane, onde foi impossível ligar-me à Internet, estamos de volta a Joanesburgo. Uma estadia curta, apenas para fazer escala a caminho de Durban, que é o próximo destino. Polokwane deixa um sabor agri-doce, mas isso fica para outro post (isto se em Durban for mais fácil ligar à web).

Por agora, consolo-me com um “espresso”, enquanto se aguarda pelo embarque. A simpatia do povo sul-africano é uma coisa indescritível. Aliás, o espectáculo nas bancadas do estádio Peter Mokaba, dissiparia qualquer dúvida que pudesse existir em relação à forma generosa como os sul-africanos se entregam à vida. Mesmo quando ela é difícil.

Por exemplo, Thomas. Trabalha no aeroporto de Joanesburgo, mas o seu ofício não é propriamente o sonho de qualquer pessoa. Limpa casas de banho, com detergente e humor. E quando não tem nada que fazer, fica simplesmente especado junto à porta das sanitas, em pose “cool brother”, dando as boas vindas a toda a gente, sempre com o mesmo cumprimento e um sorriso largo: “Welcome to my office. Please take a seat.”

Vemo-nos em Durban (espero).

Camisola 91 para Nelson Mandela

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918. Faz hoje 91 anos. Passou quase 27 na prisão e 67 a lutar contra o apartheid. O país que lhe deve uma democracia não racial vai dar-lhe os parabéns tendo em mente esta luta.

Um pouco por todo o lado, a população vai dedicar 67 minutos a fazer qualquer coisa pela comunidade. Há quem se tenha disposto a ler o jornal para idosos colocados em lares, outros que vão ajudar a colocar uma nova vedação em escolas.

Menos altruísta, mas igualmente simbólico, a equipa dos Orlando Pirates, vai treinar esta tarde, em Polokwane, com todos os jogadores a envergarem uma camisola com o número 91.

Filho de um chefe da tribo Tembu, Mandela, a quem por aqui chamam o rei, é um dos grandes nomes do século XX, Prémio Nobel da Paz de 1993. Não espanta, por isso, que o seu nome seja celebrado este sábado por todo o planeta, com pequenos gestos de gente comum ou galas em Nova Iorque. Daqui a pouco, sigo para a província do Limpopo, onde tentarei acompanhar os festejos da população, antes do jogo entre Pirates e Manchester City.

Há festa na aldeia

O estádio de Polokwane, capital da província sul-africana de Limpopo (norte do país) – e cujo nome significa algo como “lugar de paz” – é um dos dez estádios escolhidos para o Mundial de futebol de 2010. No sábado, será palco do jogo inaugural do torneio Vodacom, que tem como convidado internacional os ingleses do Manchester City.

Sem Adebayor – cuja contratação ainda não está confirmada, segundo disse hoje o presidente do clube, em Joanesburgo – e ainda sem contar com aquele que é o principal reforço para a nova época (o argentino Carlos Tévez, ex-Manchester United), a equipa dos “blues” chegou hoje a África do Sul e já prepara a sua estreia no torneio que, em anos anteriores, teve convidados como Barcelona ou o próprio Manchester United.

 Não foi preciso esperar muito para ter uma pequena prova do quanto o povo sul-africano gosta do futebol. E nem foi preciso haver jogo. Logo na primeira conferência de imprensa houve adeptos a dar espectáculo. Pergunto-me se isso seria possível noutro país ou continente? Talvez sim. Mas com aquela alegria toda? Tenho as minhas dúvidas…

Vestidos com camisolas dos Orlando Pirates e Kaizer Chiefs, com capacetes decorativos na cabeça e as inevitáveis vuvuzelas nas mãos, Philip Jwarha, Musa Sokhulu e um terceiro amigo, mais tímido (mas nem por isso mais discreto nas suas preferências futebolísticas), fizeram as delícias das câmaras.

confvu

O primeiro (de vermelho, na foto) veio do Soweto, o segundo veio de bem mais longe, de Durban – ou a Miami sul-africana, como já lhe chamaram. Para Philip, “África do Sul vai mostrar no próximo que África é capaz de tudo, desde que haja oportunidades”. E num plano mais desportivo, o adepto que veio de mais longe acredita que o próximo mundial “vai ter um campeão africano”. Se o primeiro objectivo é importante, para garantir prestígio, a segunda meta seria um prémio bem merecido para todos os futebolistas que África já deu ao desporto. Mas aí não se chega com vuvuzelas. É preciso ter unhas.


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