Archive for the 'Loftus Versfeld' Category

Pretória, cidade do râguebi, está pronta para ajudar o irmão futebol

Linha do horizonte de Pretória, vista do estádio Loftus Versfeld, ao entardecer

Pretória. O guia “Lonely Planet” chama-lhe a “Jerusalém afrikaner”. Mas isso é passado. Uma tarde de domingo com futebol revela uma realidade bem diferente. Mesmo que o jogo seja num estádio de râguebi, o desporto dos brancos, a capital de facto do país está mais que preparada para ocupar um lugar central no universo do futebol. Desde que se consiga chegar lá. Continue a ler ‘Pretória, cidade do râguebi, está pronta para ajudar o irmão futebol’

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Volta ao Soweto em bicicleta

21 de Julho

12h – É um restaurante, mas parece um barco encalhado na praia. Parece um barco encalhado na praia, mas é um edifício construído de propósito para ser restaurante. É o “The Upper’s Deck”, no uShaka Marine World em Durban. Os tubarões rondam as mesas, mas ficam atrás do vidro.

14h – Se mudassem o nome de Portugal para CristianoRonaldoLand, por aqui ninguém dava conta.

22 de Julho

Artesanato à venda na Govan Mbeki Street, em Port Elizabeth

11h30 – Na Govan Mbeki Street, bem no centro de Port Elizabeth. Digam-lhe olá, e ele conta-vos a vida em português. Digam-lhe hallo e ele conta-vos em alemão que é senegalês. Vende artesanato africano, em inglês. Todos os dias. Das 9h às 17h. Ou menos.

15h – Port Elizabeth. Acabou o bom tempo. Se não é um dilúvio vindo dos céus, anda lá perto.
 20h – Se a ASAE entrasse na Jeya’s Jazz Corner Tavern, fechava-o imediatamente. A ASAE não gosta do que é bom.

 23 de Julho

15h – Na recepção do hotel. “Ir à cidade? Sozinho? Eu não recomendo, sir”. Porquê? “Questões de segurança, sir. De manhã, tudo bem, é seguro. Mas de tarde é perigoso”. Qual a diferença entre manhã e tarde? “Blá, blá, blá…” O recepcionista é branco. O que não é nem bom nem mau. O problema é que é um branco alarmista, como se viria a provar.

19h25 – Noite de dérbi do Soweto. A polícia de Port Elizabeth montou o dispositivo mais absurdo da história da Humanidade. Os passageiros são obrigados a sair dos carros, ao passo que os carros são obrigados a subir uma rampa, para poderem ser revistados por baixo. O problema é que as rampas têm inclinação a mais. Vai ser uma noite em cheio para os bate-chapas e pintores das oficinas de automóveis.

Revisão de segurança em redor do estádio Nelson Mandela

24 de Julho

6h30 – Alvorada e regresso à casa de partida, Joanesburgo.

7h40 – No aeroporto de Port Elizabeth. “One espresso, single, no sugar, please.”

8h00 – Trazem-me um capuccino a ferver.

11h00 – Soccer City, o estádio em forma de pote africano é de fazer cair o queixo. Manhã de conferências de imprensa e de entrevistas.

13h00 – Depois da opulência do Soccer City, a paisagem árida, pobre e desfeita do Soweto. Em meia dúzia de quilómetros mudámos de planeta.

13h30 – Instalado no Hotel Soweto, merecedor duma reportagem. Pela segunda vez, em 24 horas, sou aconselhado a não sair do hotel. Razões de segurança. O corredor de acesso ao quarto chama-se “Long Walk to Freedom”. É mesmo longo. Já a Freedom, desde que não saia do hotel…

22h30 – No clube Inc., de momento o lugar mais in  da noite de Joanesburgo.

25 de Julho

10h30 – Visita guiada ao Soweto. A paisagem continua desoladora. Ao contrário das pessoas, que continuam a ser do melhor que o mundo alguma vez pariu. A visita transforma-se na Volta ao Soweto em bicicleta. Há tesouros escondidos por aqui. É preciso trazê-los à tona. Rapidamente.

14h40 – Quase duas horas para fazer 40km entre Joanesburgo e Pretória. Estradas em obras, trânsito num oito. É sábado. Quem diria?

15h – Kaizer Chiefs contra Manchester City, na final do Vodacom Challenge. É a estreia de Adebayor, pelo City, no estádio Loftus Versfeld, que abre as porta ao futebol em vez do râguebi. Robinho, no banco. Santa Cruz de fora, Tévez também, lesionado. Sala de imprensa protegida por vidro. Sinto-me um peixe num aquário.

18h00 – Quem ganhou o torneio Vodacom? Os adeptos. Inigualáveis. Depois os Kaizer Chiefs (1-0), na final contra Manchester City, um clube cheio de dinheiro, mas sem futebol. Man. City rico. Pobre Man. City. Rico clube. Pobre futebol.

20h30 – Sakhumzi, restaurante de boa comida, servida numa tenda. Jantar buffet. Há apenas dois clientes brancos. Um deles sou eu. Chamam-me “nigga” e acrescentam – “were happy that you’re here”. Quando nos sentimos em casa, as respostas estão na ponta da língua. “I’m more happy than you that I’m here”. Acho que ganhei uma mesa cheia de amigos para a vida.


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