Uma cidade do futebol à entrada da favela

Se o Mundial 2010 fosse um trono, o estádio Soccer City (traduzindo, Cidade do Futebol) seria a coroa. Visto de fora, o palco do jogo de abertura e da final do próximo campeonato do Mundo de futebol parece um pote africano. Do estilo daqueles que facilmente se encontram na grande favela que é o Soweto, que fica ali a dois passos. O que é que isto tem a ver com Berlim? Descubra com a ajuda do “slideshow”, no fim deste artigo. 

Quando as obras em curso estiverem terminadas, aquele que vai ser o principal estádio do Mundial 2010 ficará com um aspecto bastante diferente daquele que tinha anteriormente. Embora pareça novo, o Soccer City resulta de uma renovação e ampliação do antigo estádio FNB (First National Bank), que tinha o aspecto que se vê aqui em baixo.

O primeiro desafio do Comité Organizador Local (COL), cuja sede fica ao lado do referido estádio, é terminar as obras dentro do prazo. A data de conclusão prometida é 30 de Outubro deste ano, ou seja, uns oito meses antes do início do torneio. Este foi um dos recintos onde as obras estiveram paradas durante a recente greve dos trabalhadores da construção civil, mas o calendário da empreitada não estará em causa, segundo nos afiançaram responsáveis do COL.

Apesar de a intenção inicial ter sido a de aproveitar, por questões orçamentais, o máximo possível do antigo estádio, para erguer o novo Soccer City foram necessárias 7070 toneladas de aço, 54 mil metros quadrados de membrana para a cobertura e 28 mi metros quadrados de cimento. A lotação de 80 mil lugares do seu antecessor passará para 94.700 no novo recinto. Uma cifra que transformará o Soccer City no maior estádio do continente africano e no oitavo maior estádio do mundo, logo atrás do actual Maracanã e à frente do “Ninho de Pássaro”, em Pequim, e  de Wembley em Inglaterra (top 10 dos maiores estádios de futebol do Mundo).

A forma de pote africano não constava da primeira proposta de remodelação que, basicamente, previa a ampliação das bancadas e a construção de uma “pequena cobertura”. Isto porque a antiga infra-estrutura não admitia um grande telhado, segundo explica Bob Van Bebber, director de arquitectura da “Boogertman Urban Edge + Partners”, a empresa sul-africana a quem foi entregue a concepção. O desenho final foi seleccionado a partir de um conjunto que incluía outros conceitos igualmente sul-africanos, como as minas de ouro de Joanesburgo; uma “kgotla” (local de encontros e reuniões) sul-africana; a representação horizontal do mapa de África ou da protea sul-africana, a flor “nacional” daquele país. Ganhou a ideia do pote, por ser aquela que mais rapidamente poderia ser associada ao continente africano.

Sede da Federação Africana de Futebol e do Comité Organizador do Mundial 2010 é vizinha do Soccer City

Sede da Federação Africana de Futebol e do Comité Organizador do Mundial 2010 é vizinha do Soccer City

Se o seu aspecto é icónico, a sua construção também é sinónimo de promoção local. Cada cadeira dentro do estádio foi concebida com tecnologia importada do Reino Unido. Mas a companhia que a desenvolveu abriu fábricas em Durban e cerca de 95 por cento dos componentes das cadeiras são, por isso, produção nacional sul-africana.

O formato de pote é sugerido a partir do “invólucro” que rodeia as bancadas e o campo de jogo e que está fisicamente separado das bancadas. A selecção do material para a cobertura não foi fácil. “Inicialmente, íamos usar alumínio, mas o custo era muito elevado. Por puro acaso, acabámos por encontrar o produto ideal, cimento laminado reforçado com fibra de vidro”, explica Bob Van Bebber, numa entrevista ao jornal Engineering News.

Mas há outros elementos de design, muito mais subtis, que passam despercebidos e, no entanto, reforçam o conceito de universalidade que se pretendeu inculcar neste projecto arquitectónico. Neste caso, referimo-nos às dez colunas envidraçadas visíveis na fachada do estádio. Não estão ali por acaso.

Nove delas estão na direcção dos outros nove estádios do Mundial 2010. Mas como o número nove representa o azar na numerologia africana, incluiu-se uma décima “slot” envidraçada, que aponta para Berlim, a cidade alemã que foi palco da final do Mundial 2006.

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No local, o Soccer City é aquilo que parece – imponente. Quando o deixamos para trás, rumo à mega-favela do Soweto, também se transforma naquilo que é – sinal deslocado de opulência.  

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1 Response to “Uma cidade do futebol à entrada da favela”


  1. 1 Adelina Na Tamba Dezembro 2, 2009 às 10:21 pm

    Os países africanos têm pouca probalidade, no entanto ficaria bem satisfeita por um deles vencer o mundial de 2010. A história, o futebol, em particular tem que virar a página.


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