Série Os Melhores Futebolistas de África (II): Abedi Ayew, o Pelé africano

Abedi "Pelé" Ayew (Gana)Poucos conhecem o ganês Abedi Ayew pelo seu nome verdadeiro. Para a maioria, ele é Abedi Pelé, o Pelé africano, actualmente com 44 anos. Mesmo na reforma, Abedi não largou o futebol. Hoje em dia, é dirigente da FIFA. E um optimista. Esta semana, esteve em Joanesburgo, onde apostou numa vitória africana do campeonato do mundo de futebol que se realiza na África do Sul, em 2010. 

Os portugueses lembrar-se-ão de um irmão dele, Kwane Ayew, que jogou no V. Setúbal, Sporting, Boavista e União de Leiria. Mas ao contrário de Kwane, Abedi atingiu o estrelato mundial, tendo-se transformado no futebolista africano mais premiado de sempre e um dos primeiros ícones africanos na Europa do futebol. A sua capacidade de drible e de marcar golos de grande qualidade – muitos deles decisivos – valeram-lhe o epíteto de Pelé africano.

No seu Planeta do Futebol, Luís Freitas Lobo recorda que os olheiros que descobriram Pelé o definiram como “o jovem frágil da camisa grande”. Jogando na posião de médio ofensivo, Abedi “seduziu a Europa e o Mundo nos anos de 80/90, acrescenta aquele comentador, que sublinha ainda a “inspiração sul-americana” do futebol do Gana. Uma ideia que remonta, segundo os livros da história do futebol, aos anos 60, quando a selecção ganesa, os “Estrelas Negras”, começaram a mostrar as suas qualidades. Esse período coincidiu com o auge do futebol brasileiro que, entre 1958 e 1970, conquistou três títulos mundiais e arrebatou a Taça Jules Rimet. Na mesma altura, o Gana era alcandorado ao estatuto do “Brasil africano”.

O reinado de Abedi Pelé ainda estava longe, mas aquele a quem chamam rei do Gana acabaria por reclamar o seu trono com exibições, golos e títulos que ainda hoje são recordados quando o tema de conversa é a excelência do futebol africano.

O seu currículo pessoal é longo e impressionante – mas tal como George Weah, nunca jogou um campeonato do mundo. Individualmente, foi eleito o melhor jogador africano por três vezes (1991, 1992, 1993), um dos melhores cem de todos os tempos e o terceiro melhor africano dos últimos 50 anos. Em títulos colectivos, foi campeão africano em 1982 com o Gana (tinha etão 19 anos), campeão da Europa de clubes com o Marselha (1993, vitória sobre o AC Milan) e quatro vezes campeão francês com o Marselha.

Abedi em acção numa partida Marselha-AC Milan

Abedi em acção numa partida Marselha-AC Milan

Em 1992, Abedi terá vivido um dos momentos mais angustiantes da sua longa carreira futebolística. Depois de marcar à Nigéria na meia-final do campeonato africano de nações, Pelé foi suspenso e teve de ver a final, frente à Costa do Marfim, fora do relvado. Embora tenha sido eleito o melhor jogador do torneio, o médio ganês teve de resignar-se a ver o seu colega de equipa, Anthony Baffoe, a falhar um remate no desempate por pontapés da marca de grande penalidade, o que ditou a derrota do Gana, por 11-10, contra a Costa do Marfim.

Depois disso, Abedi jogaria ainda mais sete épocas (num total de 21 an0s como futebol profissional), tendo rapidamente recuperado o ânimo ao serviço do Marselha, clube onde teve maior sucesso. Foi, de resto, um dos pioneiros do futebol africano na Europa, onde um dos seus filhos, Dede Ayew, 19 anos, tenta seguir as pisadas de Abedi, como jogador do Lorient (depois de ter passado pelo Marselha).

Abedi reformou-se em 2000, três anos depois de ter passado pelo antigo estádio da Luz, onde marcou um golo  naquele que foi o primeiro “All Star UEFA-CAF”. Depois de abandonar os relvados, tornou-se dirigente de futebol, desempenhando diversos cargos. É dono do FC Nania (clube baptizado com o nome do pai), uma equipa que, em 2007, acabou por ser despromovida administrativamente, por causa de um escândalo de manipulação de resultados (terá Abedi aprendido a gerir um clube com Bernard Tapie, o antigo presidente do Marselha, condenado pela Justiça francesa pelo mesmo motivo?). Pelé é também membro do Comité da Federação Internacional do Futebol e da Confederação Africana e ainda embaixador do comité organizador do Mundial 2010, na África do Sul.

Foi nesta última qualidade que passou, há dois dias, por Joanesburgo, tendo declarado numa conferência de imprensa que acredita que quatro equipas africanas chegarão aos quartos-de-final, duas delas passarão às “meias” (o que seria inédito, pois nunca nenhum país africano passou dos “quartos”) e uma estará no estádio Soccer City, no Soweto, a disputar a final.

“As selecções africanas terão aqui a sua melhor oportunidade de sempre e virão a este Mundial para mostrarem o seu talento”, frisou o antigo jogador, lembrando também que é normal que o vencedor do título seja um país oriundo do continente organizador: “Na história do campeonato, apenas o Brasil conseguiu ser campeão fora do seu continente, no Suécia 1958 e no Japão 2002. Aqui em África teremos de cereza uma equipa a ir longe – e quando digo longe, quero dizer a chegar ao título.”
E pouco importa que ninguém acredite na sua aposta, porque já aconteceu o mesmo mnum passado bem recente e o tempo mostrou que Abedi tinha razão. “Quando eu digo isto, as pessoas riem. Mas eu acredito. Quando eu contei aos membros do comité técnico da FIFA que o campeão africano Egipto iria vencer a Itália na Taça das Confederações, eles riram-se. Mas depois aconteceu o que eu previ e tiveram de admitir que eu estava certo”.
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1 Response to “Série Os Melhores Futebolistas de África (II): Abedi Ayew, o Pelé africano”



  1. 1 Gana conquista para África o primeiro título mundial sub-20 « Vuvuzela Trackback em Outubro 16, 2009 às 11:06 pm

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