O fim da greve no Mundial da Não-Alemanha

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Em 1986, México foi a capital mundial do futebol, mas esse torneio esteve para ser na Colômbia.  E só não foi porque o governo do país natal de Higuita, Valderrama, Adolfo “El Tren” Valência e Francisco Maturana disse “não” às simpatias que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) nutria por essa hipótese. O Executivo colombiano não facilitou. Não havia dinheiro para uma organização daquela envergadura.

Para a África do Sul, organizador do Mundial 2010, dizer “não” nunca foi uma hipótese. E agora também é tarde para mudar de ideias. Faltam 11 meses para o primeiro torneio do género em solo africano e há uma mão cheia de problemas organizativos. O maior revés do país do arco íris não são as derrapagens orçamentais. É o facto de África do Sul 2010 suceder ao Alemanha 2006.

O problema é que esta comparação não faz sentido. “A Alemanha pode invadir a Polónia em três dias. A África do Sul não conseguiria invadir a Suazilândia em três meses”, sublinha Trevor Phillips, um britânico que deixou Londres para gerir a maior liga de futebol do continente africano.

Esta caricatura pode traduzir-se num argumento do tipo “o Mundial 2006 foi o da Alemanha, o de 2010 é da Não-Alemanha”. Em declarações ao “Guardian”, há sensivelmente um mês, aquele antigo director comercial da liga e da federação inglesa de futebol (a Football League e a Football Association) sublinhava: “África do Sul é um bom lugar para uma festa, e as pessoas são incrivelmente generosas. O próximo Mundial deveria proporcionar uma experiência africana única. Como o autocarro que está atrasado dez minutos, mas ninguém se rala porque estão todos a viver bons momentos.”

Sensivelmente na mesma altura, o presidente-executivo da organização sul-africana, Danny Jordaan, mostrava-se convencido de que África do Sul terá tudo pronto a tempo, reafirmando essa certeza em entrevista ao PÚBLICO. Mas isso foi antes da luta laboral iniciada por setenta mil operários, que paralisaram obras importantes para a organização, como estádios e o “Gautrain”. Previa-se que este projecto – uma ligação de 80km, em comboio rápido, a ligar Pretória à cidade e ao aeroporto de Joanesburgo – estaria pronto duas semanas antes do início do Mundial 2010. A greve que hoje chegou ao fim durou uma semana.

Treze por cento de aumento salarial pediam os trabalhadores, que convocaram a greve por tempo indeterminado. A batalha terminou  hoje, noticia esta quarta-feira a BBC, com um acordo entre patrões e sindicatos, que aceitaram um aumento de 12 por cento.

Se, por causa disto, o cimento das bancadas ainda não estiver totalmente seco quando o mundo desembarcar na África do Sul, não haverá aí nenhuma originalidade, nem nenhum “sabor” ou “toque” africano. Isso já aconteceu, curiosamente logo no primeiro jogo da história dos Mundiais, no Uruguai, em 1930. A partida não se realizou no estádio Centenário, em Montevideu, conforme estava previsto, porque a obra ficou concluída muito em cima do calendário da prova. Para não sentar a assistência em betão fresco, a FIFA optou então por mudar o jogo para o campo do Pocitos, cuja lotação era de apenas 500 pessoas.

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1 Response to “O fim da greve no Mundial da Não-Alemanha”



  1. 1 Shosholoza* « Vuvuzela Trackback em Julho 20, 2009 às 10:28 pm

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