18h10: Última chamada para o vôo BA55, com destino a Joanesburgo. Um Boeing 747 (ou 767?). Gigante. Cheio que nem um ovo. Seguem-se 11 horas no ar.
19h: Lugar 36F. Parece-me bem. Cada passageiro tem direito a um ecrã. Azar. O eu não funciona.
19h45: Duas chamadas de atenção depois, continuo sem ecrã. Com tantos lugares num avião tão grande, havia de me sair logo este. Palpita-me que vão ser 11 horas muito longas…
20h05: Duas tentativas de “reset” não ajudaram. Oferecem-me uma troca de lugar. Aceito.
2h: Após o jantar, despachei “Um eléctrico chamado desejo” e “Os Pássaros”. Para tentar dormir, vou ao menu Música. Deixa ver: Pop/Rock, Jazz, Clássica, Ópera, Essenciais. Escolho Essenciais. E vejo Bon Jovi. O.K. Temos concepções diferentes de música.
2h15: Decidi-me pelo último de Antony & the Johnsons. Vai ser tiro e queda.
3h13: Para quem editou um disco chamado “I am a bird now”, o Antony a voar abana imenso. Espera lá, abre os olhos, acorda. Quem abana é o avião, ao atravessar a linha do equador. Com tanto abanão, mais vale mudar de música. Siga o Morrison.
5h: Boa surpresa. Os Pixies também fazem parte do menu de discos Essenciais. Tal como Nirvana – só que estes no registo… unplugged?!? Ainda não tinha perdoado os Bon Jovi…
6h20: Nas janelas do lado esquerdo, nasce o sol. Nas do lado direito, continua de noite. O comandante anuncia a descida para Joanesburgo, onde a temperatura é de um grau. É melhor ir buscar o casaco.
6h55: Solo africano. Aterragem com algum estrondo, como convém, que é para saberem que acabámos de chegar.




